Cidadãos lamentam que projectos para colina de Santana queiram “destruir mais do que o terramoto”
DATA
11/12/2013 09:39:01
AUTOR
Jornal Médico
Cidadãos lamentam que projectos para colina de Santana queiram “destruir mais do que o terramoto”

[caption id="attachment_5372" align="alignleft" width="300"]colinadesantana Para a médica Elsa Soares, o projecto em causa vai “abrir espaço para o negócio imobiliário e para a medicina privada” e permitir “uma destruição que nem o terramoto de 1755 conseguiu fazer”[/caption]

O primeiro debate promovido pela Assembleia Municipal de Lisboa sobre o futuro da colina de Santana ficou marcado pelas críticas do público, que lamentou que se esteja perto de acabar com o que “nem o terramoto de 1755 conseguiu destruir”.

Em debate durante quase três horas esteve o Projecto Urbano da Colina de Santana, que abrange cerca de 16 hectares e os espaços dos hospitais S. José, Miguel Bombarda, Capuchos, Desterro, Santa Marta e o espaço do convento de Santa Joana (actual 9.ª Esquadra de Criminalidade/Trânsito da PSP), para os quais o documento apresenta um programa da responsabilidade da Estamo (imobiliária de capitais públicos, proprietária dos imóveis e dos terrenos em causa).

Esta foi a primeira de cinco sessões dedicadas ao assunto e visou fazer um ponto de situação, ouvindo diversos intervenientes no processo.

No período reservado à intervenção do público, ouviu-se um coro de críticas. O historiador e economista Vítor Albuquerque Freire lembrou que “na consulta pública que decorreu em Julho houve milhares de pessoas que se pronunciaram, reprovando esses projectos”, e lamentou que o resultado dessa consulta não tenha sido tornado público.

Para a médica Elsa Soares, o projecto em causa vai “abrir espaço para o negócio imobiliário e para a medicina privada” e permitir “uma destruição que nem o terramoto de 1755 conseguiu fazer”.

O também médico (e deputado municipal da CDU) Carlos Silva Santos lamentou que se esteja “numa ‘encrenca’ tipicamente lisboeta do facto consumado” e considerou a decisão de se construir um novo hospital numa zona mais periférica da cidade, encerrando os do centro, “um processo do novo-riquismo”.

A deputada municipal Simoneta Luz Afonso (PS), presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Municipal de Lisboa, sublinhou a importância de, neste processo, se “salvaguardar o património imaterial e móvel dos edifícios históricos em causa”, para que se partilhe “a história da medicina em Portugal com o público”.

Em resposta a estas questões e interpelações, o presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Cunha Ribeiro, rejeitou as acusações de “novo-riquismo” e considerou que “seria quase um crime económico não construir o Hospital de Todos Santos”, defendendo que isso será garantia de menores custos e de maior eficiência e qualidade na resposta aos utentes.

O vereador do Planeamento, Manuel Salgado, afirmou não perceber como é se pode dizer que se está a cometer um crime com este projecto quando, defendeu, “o que se pretende é que estes espaços sejam públicos” e quando se teve “um extremo cuidado na avaliação do património”, alargando-se, inclusive, o património classificado.

“Não estão previstos condomínios de luxo nem centros comerciais e os edifícios de grande valor patrimonial serão transferidos para o município para dinamização económica, de criação de emprego e políticas de proximidade”, concluiu.

Na sala estavam cerca de duas centenas de pessoas e cerca de 800 assistiram ao evento através da Internet.

No dia 14 de Janeiro de 2014 o tema da sessão será o “impacto das propostas no acesso da População a cuidados de Saúde”; no dia 21 o “impacto urbanístico, social e habitacional das propostas”; a 04 de Fevereiro discute-se o “impacto das propostas na memória e identidade histórica da Colina de Santana”; e no dia 11 de Fevereiro apresentam-se as conclusões e as propostas a submeter à Assembleia Municipal, em reunião ordinária.

JM/Lusa

Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo

Terceiro espaço
Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
Terceiro espaço

Qual é a relação entre medicina e arte? Serão universos totalmente distintos? Poderá uma obra de arte ter um efeito “terapêutico”?

Mais lidas

Sem artigos!
Sem artigos!