Prof. José Agostinho Marques: Serviço Nacional de Saúde vai ser "mais pobre"
DATA
13/12/2013 11:26:18
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Jornal Médico
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Prof. José Agostinho Marques: Serviço Nacional de Saúde vai ser "mais pobre"

[caption id="attachment_5439" align="alignleft" width="300"]joseagostinhomarques “Têm razões para ter medo de que nos próximos anos tenham sistema de saúde mais pobre do que o actual, de que as comparticipações possam ser alteradas. Há razões para ter medo sobre como vai ser a evolução do financiamento na saúde nos moldes actuais”, alertou José Agostinho Marques, director da Faculdade de Medicina do Porto[/caption]

O director da Faculdade de Medicina do Porto, José Agostinho Marques, considerou hoje que as pessoas “têm razão para ter medo” sobre o futuro dos cuidados de saúde, porque o sistema público vai ser “mais pobre". “Têm razões para ter medo de que nos próximos anos tenham sistema de saúde mais pobre do que o actual, de que as comparticipações possam ser alteradas. Há razões para ter medo sobre como vai ser a evolução do financiamento na saúde nos moldes atuais”, afirmou o médico, em declarações aos jornalistas no âmbito do debate “Novas Perspectivas sobre efeitos da crise na saúde”, organizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Apesar dos cortes, o responsável diz não existirem ainda “efeitos mensuráveis [dos cortes] dentro das estruturas” hospitalar e sublinha que “os cuidados ainda são os habituais”, mas alerta que não está assegurado que continue a ser assim”. “Há muito medo instalado nas pessoas quanto à sua saúde e têm razão para ter medo. O ideal seria que os cortes afectassem apenas o desperdício, mas a realidade não é assim. Afectam sempre a prestação de serviços. Há riscos, seguramente”, afirmou. Agostinho Santos diz que sempre ouviu falar em crise, mas reconhece que esta é “diferente” porque corresponde a “um empobrecimento muito grande do país que vai ter impactos no financiamento da saúde”. “Até há cinco, seis anos, os orçamentos foram sempre subindo, agora deixaram de subir. É natural que cause restrições”, observou. O director da Faculdade de Medicina defende que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) “não está em causa como instituição”, mas está convencido de que “não responderá da mesma maneira”, designadamente no tempo de espera para consultas”. A isto soma-se “um problema crónico na população mais pobre, que aumentou” e que passa por não comprar todos os medicamentos prescritos pelo médico.   “Não é raro prescrevermos três medicamentos e o doente, na farmácia, comprar apenas um ou dois e perverter o tratamento. Dizem-me que está a aumentar. Não custa imaginar que, com o envelhecimento da população, isto venha a ter impactos”, avisou. A questão, explica, é que para as pessoas “que vivem no limiar”, qualquer aumento de custos, “que até pode nem ser na saúde, mas na alimentação”, “tem impacto na saúde”. “Temos de garantir que o sistema é sustentável. Caso contrário, podemos gritar, podemos discutir, podemos indignar-nos, mas o sistema estoura por ele próprio e ficamos sem nada”, defendeu o presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de S. João, António Ferreira. O administrador prefere não falar em despedimentos, mas reconheceu que terá de “dispensar os que não fazem e não querem fazer” e diz que prefere “a implementação de políticas que assentem no reconhecimento e valorização das pessoas por aquilo que elas fazem” em vez de “cortes transversais como cortes de salários iguais para toda a gente”. Alertando para a “inversão dramática da pirâmide etária” nacional, António Ferreira aponta para os próximos anos “um crescimento ainda maior da despesa de saúde”. “Vamos ter muito mais gente a precisar de cuidados e vamos ter muito menos gente a produzir riqueza. Assim, não há sistema que seja sustentável se não implementarmos muitas mudanças”, afirma, falando na necessidade de “prescrever os medicamentos mais baratos” e na redução de camas nas unidades “de [doentes] agudos” para as aumentar nos “cuidados prolongados”.

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