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O presidente da autarquia de Fafe, que é médico e foi director do Centro de Saúde de Fafe antes de assumir funções na edilidade, disse à Lusa não entender "como é que se parte para uma fragmentação de um centro hospitalar, com todas as consequências que isso pode ter"[/caption]
O presidente da Câmara de Fafe, Raúl Cunha, afirmou não aceitar "qualquer solução" para o hospital da cidade que signifique diminuição dos cuidados de saúde à população.
Comentando a possibilidade de a unidade hospitalar poder ser devolvida pelo Estado à Santa Casa da Misericórdia de Fafe, conforme solução em estudo no Ministério da Saúde, o autarca disse causar-lhe "algum sobressalto" aquela possibilidade.
"Não entendemos quais foram os critérios que levaram à escolha de Fafe para ser dos concelhos pioneiros nesta iniciativa do Governo", comentou, frisando que esta é uma matéria "importante e sensível".
O Hospital de Fafe, cujo edifício é propriedade da Misericórdia, integra há vários anos o Centro Hospitalar do Alto Ave, com sede no Hospital de Guimarães.
O presidente da autarquia de Fafe, que é médico e foi director do Centro de Saúde de Fafe antes de assumir funções na edilidade, disse à Lusa não entender "como é que se parte para uma fragmentação de um centro hospitalar, com todas as consequências que isso pode ter".
Raúl Cunha defende que existiam "muitos outros concelhos que poderiam, à partida, reunir as condições necessárias para poderem fazer isso de uma forma tranquila".
O autarca disse que o processo não está fechado, adiantando que aguarda uma reunião com o secretário de Estado da Saúde para tratar a matéria.
"Esse processo não está muito avançado. Existe a vontade do ministério e da União das Misericórdias de poder fica com o hospital, mas não é um processo que esteja de forma irreversível e encerrado", concluiu.
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Entretanto, a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Fafe avisou já que a instituição só aceitará retomar o hospital se o equipamento se mantiver integrado no Serviço Nacional de Saúde. "Há uma condição, da qual não abdicaremos, que é ficarmos integrados no Serviço Nacional de Saúde e todos os estudos terão de ser feitos nessa base", explicou Maria das Dores Ribeiro João.
Para a provedora, a eventual assunção daquela responsabilidade também não pode comprometer a sustentabilidade da Misericórdia de Fafe.
"Nós estamos interessados em ficar com o hospital se for para bem da população, mas também temos de pensar na sustentabilidade da instituição", salientou.
O hospital de Fafe pertenceu à misericórdia local até 1976, ano em que foi nacionalizado. Desde então, o Estado paga uma renda mensal, actualmente de cerca de 2.000 euros.
O equipamento está integrado no Centro Hospitalar do Alto Ave, com sede no Hospital de Guimarães.
A responsável recordou hoje que o Governo criou recentemente uma comissão para estudar os moldes em que vários hospitais poderão ser devolvidos às misericórdias, incluindo o de Fafe.
Só depois, disse, "quando forem conhecidos os parâmetros", é que haverá condições para se avançar com um estudo que avalie se há ou não condições para retomar o hospital.
"Nunca poderemos decidir sem ser feito estudo de sustentabilidade. Temos os nossos elementos e temos também o Grupo Misericórdias Saúde, que integra provedores de misericórdias que têm já hospitais, como Póvoa de Lanhoso, Riba de Ave e Felgueiras, que trabalharão connosco nesse assunto", avançou.
Ressalvando que o processo ainda está muito atrasado, Maria das Dores Ribeiro João insistiu que só fará sentido assumir o hospital se forem asseguradas condições para prestar "um bom serviço à população de Fafe" e concelhos vizinhos, sobretudo da região de Basto.
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