[caption id="attachment_3431" align="alignleft" width="300"]
Quando o telemóvel de Fernando Leal da Costa tocou, no início da sua intervenção para responder a várias questões, o deputado David Costa (PCP) aproveitou para dizer: “O Governo também pode desligar e ir embora”. “Falta de berço”, comentou a deputada Conceição Bessa Ruão (PSD)[/caption]
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi o pretexto para deputados da maioria e da oposição esgrimirem argumentos e acusações, alguns com contornos pessoais, sobre o que consideram ser o melhor e o pior da saúde em Portugal.
Ontem, ao longo de quatro horas, os deputados denunciaram, ou desmentiram, consoante representavam a maioria no poder, ou a oposição parlamentar, as informações que nos últimos tempos têm dominado o sector, questionando o ministro Paulo Macedo sobre estes temas.
A propósito do tempo de espera nas urgências hospitalares, os deputados Catarina Marcelino (PS) e Miguel Santos (PSD) envolveram-se em diálogo, com a primeira a garantir que testemunhou o elevado número de horas de espera no Hospital Garcia de Orta, em Almada, e o segundo a limitar-se a responder: “Eu não acredito em si…”.
O mesmo deputado social-democrata revelou-se especialmente comentador das intervenções da oposição, tendo respondido à deputada Paula Santos, que apelava ao Governo para conhecer o país real, que “o país real não é só o Seixal”.
Também Paulo Macedo optou por comentar a prestação do bloquista João Semedo, que criticava o ministro por apresentar indicadores, em vez dos cuidados sobre os quais questionara o governante.
“O senhor está mesmo afectado”, disse Paulo Macedo, numa referência à advertência de João Semedo que, antes da sua intervenção, partilhara com os deputados que estava com a voz afectada por razões de saúde.
A afirmação de Paulo Macedo foi seguida de uma resposta do deputado do BE: “O senhor ministro perdeu uma boa oportunidade de estar calado”.
Nesta audição, solicitada pelo PCP, os deputados – nomeadamente da oposição – formalizaram dezenas de questões, que passaram pelos efeitos dos cortes no sector, os tempos de espera nas urgências hospitalares, a falta de pessoal nas unidades de saúde, entre muitas outras.
Aos receios da deputada Paula Cruz (PCP) de que o SNS estará a ser desmantelado, Paulo Macedo ironizou: “Eu hei-de sair daqui, com o SNS mais consolidado, e a deputada continuará a dizer isto”.
A falta de profissionais de saúde foi um dos temas mais aflorados no debate, nomeadamente nos institutos portugueses de oncologia. Sobre esta carência, a deputada Catarina Marcelino (PS) atribuiu a mesma à emigração de profissionais devido à falta de condições de trabalho em Portugal.
“Não baralhe isto tudo, que isto não é baralhável”, respondeu Paulo Macedo.
Da parte da equipa governamental , o secretário de Estado e adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa, também recorreu à ironia para comentar o pedido de investigação entregue na Procuradoria Geral da República (PGR) por um grupo de médicos sobre o excesso de mortes no Verão passado, atribuído à onda de calor : “Todos temos direito ao dia do disparate”.
Ao longo de quatro horas de debate, com os deputados a interromperem-se frequentemente, foram vários os que optaram por comentários paralelos.
Quando o telemóvel de Fernando Leal da Costa tocou, no início da sua intervenção para responder a várias questões, o deputado David Costa (PCP) aproveitou para dizer: “O Governo também pode desligar e ir embora”. “Falta de berço”, comentou a deputada Conceição Bessa Ruão (PSD).
Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo
Qual é a relação entre medicina e arte? Serão universos totalmente distintos? Poderá uma obra de arte ter um efeito “terapêutico”?