O que leva jovens aparentemente sem problemas a cometerem suicídio?
DATA
27/02/2014 10:57:14
AUTOR
Jornal Médico
O que leva jovens aparentemente sem problemas a cometerem suicídio?

depressãoO suicídio entre os jovens é um importante problema de saúde pública em muitos países, não obstante os esforços que têm sido feitos para encontrar estratégias de prevenção eficazes.

Para tentar perceber os motivos que levam os jovens a atentar contra as suas próprias vidas, um grupo de investigadores do Instituto Norueguês de Saúde Pública entrevistou familiares e amigos de dez jovens adultos, aparentemente sem problemas, que apesar das conquistas e êxitos alcançados decidiram, inesperadamente, cometer suicídio.

Os resultados obtidos foram surpreendentes: não foram reportados quaisquer comportamentos que sugerissem a presença de perturbação mental grave. O que contraria estudos anteriores que sugeriam que a depressão ou outra doença de foro psiquiátrico constituíam um importante factor de risco de suicídio.

No estudo, os investigadores reconhecem que na Noruega, há ainda pouca evidência científica sobre estratégias de prevenção eficazes e que as taxas de suicídio entre os jovens permanecem elevadas. E também que a maioria dos estudos internacionais sobre o suicídio são baseados em populações em acompanhamento clínico, estando a detecção e o tratamento das doenças mentais no centro das estratégias de prevenção adoptadas em muitos países.

A principal constatação a que chegaram os investigadores após a realização das entrevistas, foi a de que os jovens terão compensado a falta de auto-estima, exagerando a importância de pequenas conquistas, desenvolvendo, assim, uma frágil auto-estima na vida adulta, que os deixou vulneráveis quando tiveram que enfrentar a rejeição e a percepção de fracasso.

No entanto, a equipa de investigadores não conseguiu detectar quaisquer sinais de doença mental.

“Contrariando estudos prévios que sugerem que a doença mental – em particular a depressão – no período anterior ao óbito, constitui um importante factor de risco de suicídio, poucos dos entrevistados mencionaram depressão ou qualquer outra doença mental nas suas narrativas”, refere Mette Lyberg Rasmussen, principal autor do estudo. “As principais descobertas deste trabalho põem a descoberto uma particular vulnerabilidade face ao sentimento de rejeição e ao não se ter sido bem sido sucedido a atingir objectivos pessoais. Nestas situações ocorre um forte sentimento de vergonha e de raiva contida”, aponta o investigador. “O indivíduo embrenha-se em sentimentos intoleráveis, com os quais, por estar vulnerável, não consegue lidar nem controlar, o que gera o sentimento de que a vida não merece ser vivida. Nesta fase a estratégia anterior, que envolvia compensação através do aumento contínuo do esforço para ser bem-sucedido, deixa de funcionar e o suicídio começa a surgir como a única saída para uma situação de dor psicológica incontrolável” explica Rasmussen.

O estudo é sustentado num conjunto único de dados qualitativos, que incluiu 61 entrevistas de fundo a familiares muito próximos e 6 notas de suicídio, relacionadas com 10 suicídios de homens com idades compreendidas entre os 18 e os 30 anos, sem historial de tratamento psiquiátrico ou de tentativa de suicídio.

A equipa de investigadores, analisou meticulosamente o conteúdo das entrevistas, com mães, pais, irmãos, amigos, ex-namoradas nas quais se procurou saber como é que cada entrevistado tinha vivenciado a doença e o suicídio em toda a sua complexidade.

Referências:

Rasmussen, M. L., Haavind, H., Dieserud, G. K., & Dyregrov, K. Exploring vulnerability to suicide in the developmental history of young men: A psychological autopsy study. Death Studies, published online ahead of print 19th December 2013. ISSN 0748-1187.s doi: 10.1080/07481187.2013.780113

 

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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