A anemia é comum após os 65 anos e muitas vezes não é devidamente valorizada, pois é interpretada apenas como uma manifestação da polipatologia característica deste grupo etário.
As síndromes mielodisplásicas, dado o seu reconhecimento aprofundado ser recente, estão a ser provavelmente subdiagnosticadas nos grupos etários mais elevados, precisamente onde são mais frequentes.
No âmbito da colaboração pluridisciplinar entre hematologistas, médicos de cuidados de saúde primários, enfermeiros e assistentes sociais foi desenvolvido a nível europeu um programa informativo de auxílio ao diagnóstico diferencial e eventual referenciação hospitalar – Focus on Anaemia Care in the Elderly (FACE) – que está disponível através do website www.faceanaemia.pt. Este website especificamente desenhado para informar profissionais de saúde sobre o tema conta com o patrocínio institucional da Celgene.
O programa FACE disponibiliza acesso a informação específica sobre a anemia, um directório de centros de hematologia e uma aplicação digital multi-plataforma que poderá ser instalada em smartphones com sistemas Apple ou Android. A aplicação CUBO permite uma análise recomendada por especialistas das possíveis causas de anemia em cada doente.
Desafio clínico pluridisciplinar
De acordo com Maria João Costa, hematologista do Centro Hospitalar Lisboa Norte - Hospital de Santa Maria, “o aparecimento de anemia num idoso deve ser sempre investigado e não considerado um processo decorrente do envelhecimento”.
Na população idosa os sintomas e sinais de anemia são muitas vezes “mais insidiosos e difíceis de identificar, tais como uma quebra do estado geral, agravamento de sintomas depressivos ou descompensação cardíaca ou pulmonar”, explica a também assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. “Estas queixas não devem ser desvalorizadas e deve ser realizado um exame objectivo cuidadoso e exames complementares de rotina”, alerta.
Ainda segundo a especialista, “os exames complementares devem ser dirigidos de acordo com as queixas, antecedentes pessoais e observação do doente. A abordagem diagnóstica e terapêutica destes doentes constitui um desafio clínico pluridisciplinar, sendo fundamental que os médicos dos CSP tenham a noção da necessidade do seu rápido diagnóstico”.
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