Surto de legionella – actualização
DATA
10/11/2014 12:28:46
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Jornal Médico
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Surto de legionella – actualização

Legionella

Duas pessoas infectadas com legionella estão internadas no Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco (HAL) desde a manhã de domingo, disse hoje à agência Lusa fonte da Direcção-geral da Saúde (DGS).

"Posso confirmar que há dois casos [de infecção por legionella] em Castelo Branco que têm ligação a Vila Franca de Xira", confirmou o director-geral da Saúde.

Francisco George explicou ainda que a DGS teve conhecimento destes dois casos "desde ontem [domingo] de manhã" e adiantou que, neste momento, "é só esta informação” que pode disponibilizar.

O director-geral da Saúde revelou hoje que foram identificados casos de Doença do Legionário em várias outras regiões do país, como Barreiro e Porto, mas todos eles com “ligações claras” a Vila Franca de Xira.

No domingo, Francisco George admitiu que o surto de legionella, que já causou 160 infecções e quatro mortes confirmadas, possa estar “próximo do máximo”, explicando que só uma pequena percentagem das pessoas expostas ficarão doentes.

Em declarações aos jornalistas, o responsável afirmou ao início da noite de domingo que “do primeiro dia para o segundo dia há uma triplicação [do número de casos] e deste último dia para hoje [domingo] há uma duplicação”.

“O que quer dizer que poderemos estar – não quer dizer que estejamos – poderemos estar próximo do máximo, do pico deste processo. Mas não sabemos ainda”, referiu Francisco George, que falava aos jornalistas no final de uma reunião de emergência de quase cinco horas de diversas entidades para analisar o surto provocado pela infecção por legionella, bactéria que causa pneumonias graves.

O director-geral da Saúde explicou que noutros surtos registados na Europa, “muitas vezes, torres de refrigeração de unidades fabris ou de grandes espaços, nomeadamente comerciais, podem emitir gotículas que, desde que estejam contaminadas, podem ser inaladas e provocar uma infecção na árvore respiratória que está na origem da pneumonia”.

As autoridades esperam que surjam mais casos nas próximas semanas, mas o responsável sublinhou que “há milhares de pessoas expostas a este risco, mas só muito poucas ficarão doentes”, algo que é próprio desta doença.

Também no domingo, Francisco George disse que todos os casos de doentes infectados por legionella e que estão nos hospitais de Lisboa têm ligação a Vila Franca de Xira.

"Todos os casos, mesmo os de fora de Lisboa, têm uma ligação a Vila Franca de Xira, ou trabalham, ou estiveram lá, ou têm relações de qualquer tipo lá", disse Francisco George, sublinhando que "a grande maioria das situações aponta para Vila Franca".

O ministro da Saúde, também no domingo, anunciou que iriam ser encerradas as “principais torres de refrigeração” de empresas na área afectada pelo surto de legionella, em Vila Franca de Xira, enquanto estão a ser avaliadas casas particulares.

O governante disse que estão a ser feitos “todos estes esforços, por um lado, tendo em vista suspender potenciais focos da doença e, por outro lado, identificar a origem da doença”.

Hospitais da Grande Lisboa com capacidade para receber doentes

Paulo Macedo garantiu que os hospitais da Grande Lisboa têm capacidade para receber os doentes infectados pelo surto de legionella. Segundo o governante, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo tem “desviado doentes para que o hospital de Vila Franca de Xira [onde se registam a grande maioria dos casos] tenha sempre capacidade de receber doentes adicionais, ou seja, antes que seja esgotada a capacidade do hospital, que é um hospital médio”, disse o governante.

Há doentes a serem encaminhados para as unidades hospitalares de Lisboa Central e Lisboa Norte, afirmou o ministro, que sublinhou que não existe “neste momento qualquer problema com camas de ventilação”.

“Primeiro mobilizamos os hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo e ainda temos aqui capacidade”, assegurou, recordando que está no terreno “desde o início” um plano de contingência, que envolve ainda outros hospitais, como “o caso de Lisboa Ocidental e o Fernando da Fonseca [Amadora-Sintra]”.

“Estamos a abrir camas em algumas áreas, nomeadamente no Pulido Valente, e no hospital de Lisboa Central podemos abrir camas para doentes não ventilados”, mencionou o responsável da Saúde.

Os hospitais, acrescentou, “têm respondido exemplarmente”.

Segundo Macedo, os quatro óbitos causados pela infecção pela bactéria ocorreram em pessoas “com várias comorbilidades”, enquanto a quinta morte registada é uma “suspeita não confirmada” de ter sido causada por legionella.

Trata-se do caso de “uma pessoa que tinha também outro tipo de doenças, designadamente cardiopatias, hipertensão arterial e pneumonia”, pelo que “não ficou o caso confirmado, mas há um óbito de uma pessoa que tinha várias comorbilidades”, explicou.

Dos casos que chegam ao hospital, cerca de oito por cento são encaminhados para os cuidados intensivos ou para a ventilação, e muitos descem depois de gravidade, referiu o governante, que acrescentou que “já houve pessoas que melhoraram” e que a medicação, designadamente por antibióticos, está a fazer efeito.

O ministro mencionou ainda que a doença afecta principalmente pessoas entre os 30 e os 90 anos e que é “raríssimo haver casos em crianças”.

Câmara de Vila Franca de Xira suspende equipamentos desportivos e aulas de Educação Física

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira encerrou provisoriamente os equipamentos desportivos e suspendeu as aulas de Educação Física nas freguesias mais afectadas pelo surto da legionella.

Em conferência de imprensa, Alberto Mesquita, presidente da Câmara, anunciou também que foram desligados os sistemas de rega e as fontes ornamentais das freguesias da Póvoa de Santa Iria, Forte da Casa e Vialonga.

O autarca referiu, igualmente, que não existem "suspeitas" do que poderá estar a originar o surto de legionella, bactéria causadora de pneumonia, e que a autarquia manterá uma linha de emergência disponível 24 horas por dia.

"Apesar das análises regulares que fazemos nas nossas piscinas e pavilhões entendemos que de facto até informação em contrário será a de tomar esta posição. Mais vale durante algum tempo encerrar estes equipamentos", afirmou o autarca.

Alberto Mesquita esclareceu que apenas serão encerrados os equipamentos desportivos das três freguesias mais afectadas pelo surto, sendo que os restantes equipamentos "funcionarão sem alterações".

O autarca adiantou ainda que a Câmara sugeriu aos agrupamentos escolares das freguesias mais afectadas que suspendam provisoriamente as aulas de Educação Física, à semelhança daquilo que também tinha defendido o presidente da junta de freguesia de Vialonga.

Questionado hoje sobre o eventual encerramento de escolas no concelho de Vila Franca de Xira, o ministério da Educação disse que "internacionalmente não há recomendações para intervir em escolas".

"Os casos até agora reportados neste surto são todos em adultos com idade superior a 30 anos e noutros surtos só muito raramente e em condições clínicas muito especiais afectam crianças", refere o ministério.

Principais torres de refrigeração encerradas

As “principais torres de refrigeração” de empresas na área afectada pelo surto de ‘legionella’, em Vila Franca de Xira, foram encerradas, enquanto estão a ser avaliadas casas particulares.

O governante, Paulo Macedo, disse que estão a ser feitos “todos estes esforços, por um lado, tendo em vista suspender potenciais focos da doença e, por outro lado, identificar a origem da doença”.

“Foram feitas entre sábado e hoje várias vistorias pela autoridade de saúde em centros comerciais e hotéis, tendo em vista analisar diversos pontos potenciais de foco da legionella.

Por outro lado, acrescentou que as autoridades estão a fazer avaliações “junto de algumas casas dos moradores”, dado registar-se “uma concentração [de casos] em algumas ruas” do concelho de Vila Franca de Xira.

O ministro explicou que o Instituto Ricardo Jorge tem realizado análises a águas e a torres de refrigeração, mas que os resultados não são conclusivos, sendo necessário aguardar “entre cinco a dez dias” para obter dados mais fiáveis.

“Não podemos obviamente esperar estes cinco a dez dias para tomar medidas, enquanto temos pessoas que podem estar a ser contagiadas”, afirmou.

O governante mencionou que ainda esta semana a EPAL, que distribui a água para os concelhos da Grande Lisboa, realizou análises que não indicaram qualquer problema na qualidade.

Está também a ser realizada a “hipercloração da água”, indicou, acrescentando que “já foram medidos novamente os níveis de cloro em toda a rede daquela zona e já foram aumentados”.

Questionado sobre se terá havido alguma intervenção humana na causa deste surto, Paulo Macedo disse que “é uma probabilidade muito remota, mas os especialistas não a descartaram”.

O ministro afirmou que as autoridades estão empenhadas em determinar qual é o foco da infecção, mas referiu que há casos de surtos no mundo cuja causa nunca foi identificada.

Surto é inesperado e muito pouco frequente

O surto de legionella que está a afectar Vila Franca de Xira é uma "situação inesperada e muito pouco frequente" e a dificuldade em detectar o foco da infecção "é proporcional" à dispersão geográfica, de acordo com especialistas.

A bactéria legionella é responsável pela Doença dos Legionários, uma pneumonia grave, cuja infecção se transmite por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada.

O professor de Saúde Pública Adalberto Campos Fernandes afirmou que se trata de "uma situação inesperada e muito pouco frequente" e mostrou-se expectante de que "o inquérito epidemiológico feito pela Direcção-geral de Saúde (DGS) permita identificar a origem do surto".

Sublinhando que é uma doença que pode levar à morte, o professor da Universidade Nova de Lisboa apelou a que "a população mantenha níveis de tranquilidade", considerando que "não há nenhum motivo para que se entre em pânico", uma vez que "a DGS tem tido um comportamento irrepreensível" e que "a resposta assistencial tem sido adequada".

Também o infecciologista Fernando Maltez destacou que é uma situação de "muita preocupação", mas defendeu que "a DGS e os organismos oficiais estão a tratar do assunto com máxima responsabilidade, a desencadear os meios necessários para se chegar à causa da epidemia e a acautelar o tratamento adequado para doentes infectados".

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Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
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