O presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte admitiu hoje que a situação no Hospital da Feira é “preocupante” e estão a procurar-se “respostas às necessidades”, mas garantiu que todas as cirurgias prioritárias estão a ser feitas.
“Santa Maria da Feira é um caso preocupante, como outros, e nessa medida temos tentado retirar os doentes agudos que já estão em estado de convalescença para outras unidades, o que permite descongestionar a afluência que tem vindo a verificar-se nessa unidade”, afirmou Castanheira Nunes à margem de uma visita do ministro da Saúde, Paulo Macedo, ao Hospital de S. João.
Assegurando que se está actualmente “a tentar encontrar respostas às necessidades que existem em termos do aumento da procura relativamente a doentes com maior gravidade”, o presidente da ARS Norte apontou como exemplo o recurso aos acordos existentes com as Misericórdias com o objectivo de para ali transferir “os doentes que já estão num estado clínico de convalescença”, libertando camas “para os doentes agudos que chegam da urgência”.
No caso do Hospital da Feira – onde, segundo noticia hoje o Jornal de Notícias, estão a ser adiadas cirurgias programadas por falta de camas, devido ao aumento significativo dos internamentos – Castanheira Nunes considera que “é um acto de gestão adiar cirurgias que não são prioritárias”.
Contudo, garantiu, “todas as cirurgias prioritárias estão a ser feitas, não só em Santa Maria da Feira, como em todos os hospitais do Norte” do país.
Hospital de Entre Douro e Vouga diz que mais camas não impedem adiamento de cirurgias
O Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga acrescentou camas aos hospitais da Feira, Azeméis e S. João da Madeira para acorrer à gripe, mas reconhece a medida como insuficiente para impedir o adiamento de cirurgias a ocorrer no primeiro.
Tutelando os três hospitais em causa, os administradores desse organismo atribuem o problema ao surto gripal das últimas semanas e à consequente afluência anormal de doentes aos serviços de Urgência do S. Sebastião, na Feira.
"O Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga abriu camas suplementares nos três hospitais", revela o conselho de administração. "No entanto, não foi possível evitar os adiamentos de cirurgias programadas, dado o continuado afluxo de doentes para internamento através do Serviço de Urgência", explica.
O Centro Hospitalar realça, aliás, que as informações da Direcção-geral de Saúde vêm "atestando a maior severidade do actual surto gripal" comparativamente a anos anteriores.
"Desde o início do corrente ano, o Hospital S. Sebastião tem vindo a registar um acréscimo significativo de internamentos de doentes do foro médico, em particular da Medicina Interna, [acolhendo] mais 40 a 50 doentes face ao número de camas disponíveis para esses serviços", explica.
A opção pelo adiamento de cirurgias tem recaído, por isso, sobre intervenções programadas, mas "não prioritárias", privilegiando-se assim os pacientes em situação de maior risco e os doentes do foro oncológico.
Por sua vez, os utentes com intervenções adiadas têm sido informados "com a antecedência possível", no que influi "a imprevisibilidade do afluxo de doentes através da Urgência e com necessidade de internamento imediato".
Quanto à data prevista para normalização da situação e retoma do ritmo normal de cirurgias, o conselho de administração do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga não dá qualquer resposta.
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