Santo Tirso: autarquia acusa governo de “esvaziar” serviços do hospital

Hospital1
A câmara de Santo Tirso acusou o Ministério da Saúde de estar a promover o "esvaziamento" do hospital local, apontando que a "degradação" do serviço "chegou ao ponto inaceitável de não ter médicos no Serviço Básico de Urgência".

"Pode-se dizer que o hospital está a saque. É uma situação escandalosa. É a saúde pública que está em jogo", disse à agência Lusa o presidente da câmara, Joaquim Couto, adiantando que pretendia questionar o governo sobre "esta situação de iminente degradação de serviços".

O hospital de Santo Tirso integra o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA), juntamente com a unidade de Famalicão, e a 16 de dezembro do ano passado, com a assinatura em Lisboa do terceiro "Compromisso de Cooperação para o Setor Social e Solidário", foi anunciada a sua passagem para a alçada da Santa Casa de Misericórdia, um processo que ainda não foi concluído e sobre o qual a câmara liderada por Couto sempre mostrou "reservas".

Na passada sexta-feira, dia 17 de julho, em comunicado, a autarquia de Santo Tirso, distrito do Porto, recorda que o governo avançou com a negociação com a União das Misericórdias, mas acusa os responsáveis de não terem cumprido a promessa de envolver a câmara na discussão.

"Em fevereiro, numa reunião com o presidente da câmara de Santo Tirso, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, deixou a garantia de que a autarquia seria envolvida no processo. Neste momento, a câmara não sabe, oficialmente, qual o ponto das negociações sobre a transferência do hospital", descreve a nota, tendo Joaquim Couto acrescentado à Lusa ver esta situação como "um desrespeito" pela autarquia.

O autarca apontou que nos "últimos dois anos" o hospital local "tem vindo a perder valências, estando atualmente no limite, por determinação do governo": "É uma medida que tem como objetivo evidente tornar o hospital obsoleto, com o argumento de que, como não produz, é necessário entregá-lo à Santa Casa da Misericórdia", refere a câmara.

"Os cortes cegos e de regra e esquadro do Estado na Saúde acontecem de Norte a Sul do país e agora Santo Tirso também está a ser prejudicado. Temos relatos de utentes que nos preocupam muito", apontou Joaquim Couto.

Além da situação de ausência de médicos no Serviço Básico de Urgência, a câmara também descreve que "vários equipamentos têm sido transferidos para o hospital de Famalicão", uma unidade que, diz a autarquia, "estranhamente vai manter-se no Serviço Nacional de Saúde (SNS), apesar do seu edifício ser propriedade da Santa Casa da Misericórdia".

"O CHMA abrange um universo de 250 mil habitantes. A desarticulação do hospital de Santo Tirso e do hospital de Famalicão tornará inviável, muito provavelmente, as duas unidades", lê-se no comunicado da câmara tirsense que diz acreditar na "viabilidade" deste centro hospitalar "desde que exista uma boa gestão".

"A decisão do governo em transferir o hospital de Santo Tirso para a União das Misericórdias é uma medida partidária e não de uma gestão responsável do SNS. A câmara de Santo Tirso considera que deve imperar o bom senso e que o governo deverá deixar para depois das eleições legislativas a decisão de transferir o hospital de Santo Tirso para a Santa Casa da Misericórdia", termina o comunicado.

Por favor faça login ou registe-se para aceder a este conteúdo

Terceiro espaço
Editorial | Luís Monteiro, membro da Direção Nacional da APMGF
Terceiro espaço

Qual é a relação entre medicina e arte? Serão universos totalmente distintos? Poderá uma obra de arte ter um efeito “terapêutico”?

Mais lidas

Sem artigos!
Sem artigos!