Câmara de Oliveira do Hospital contesta fecho de sete extensões de saúde
DATA
10/09/2015 18:45:55
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Jornal Médico
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Câmara de Oliveira do Hospital contesta fecho de sete extensões de saúde

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A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital insurgiu-se hoje contra o encerramento de sete extensões de saúde do concelho, posição que é apoiada pelo PS local.

Em comunicado, o presidente da autarquia, José Carlos Alexandrino, eleito pelo PS na condição de independente, manifesta "profunda preocupação (...) com a situação de rutura a que, mais uma vez, chegaram os serviços de saúde" em Oliveira do Hospital.

O autarca enviou uma carta ao presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, José Tereso, em que "responsabiliza aquele organismo do Ministério da Saúde por todos os prejuízos causados à saúde dos cidadãos" do concelho devido ao encerramento, na terça-feira, das extensões de Aldeia das Dez, Alvoco das Várzeas, Ervedal da Beira, Lagares da Beira, Nogueira do Cravo, Santo António do Alva e Seixo da Beira.

A Câmara Municipal lamenta "ter sido informada" pela comunicação social do fecho temporário das extensões de saúde, por falta de médicos no Centro de Saúde de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, "e por ser considerado prioritário" o Serviço de Atendimento permanente (SAP).

Na carta dirigida a José Tereso, o presidente da Câmara "considera inadmissível que os serviços médicos do Centro de Saúde, responsável pela assistência médica a mais de 22 mil utentes, estejam a ser suportados por apenas quatro clínicos".

"Solidário com a revolta e a angústia vividas por toda uma população que está desprotegida, José Carlos Alexandrino sublinha que este retrato angustiante era evitável, ao passo que também recorda que, durante cerca de 12 meses", a Câmara "alertou para a possibilidade de se chegar a esta dramática situação, apresentando propostas concretas com soluções" em diversas reuniões de trabalho.

Em abril, o autarca reuniu-se com o secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, "tendo-lhe proposto um projeto para evitar o colapso dos serviços, que foi acolhido com entusiasmo" pelo governante.

José Carlos Alexandrino rejeita que, "por meros interesses político-partidários, se tenha boicotado um projeto, reconhecido como viável e inovador, sem se perceber que o direito dos cidadãos no acesso à saúde", consagrado na Constituição da República, "sobrepõe-se aos interesses mesquinhos de qualquer partido".

Perante este cenário dramático e com a perspetiva de minimizar os danos provocados pela situação (em Oliveira do Hospital, existem também mais de 10 mil pessoas sem médico de família), o presidente da Câmara Municipal admite "disponibilizar recursos financeiros para comparticipar aos cidadãos que estão desprotegidos a consulta privada de clínica geral e familiar" no hospital particular da Fundação Aurélio Amaro Diniz.

"Até que a situação fique resolvida pela via da há muito prometida colocação de mais médicos em Oliveira do Hospital, esta resposta de emergência da Câmara Municipal terá sempre um caráter provisório, porque essa é uma competência do governo", esclarece.

Com o Centro de Saúde da cidade "mais uma vez à beira do colapso", José Carlos Alexandrino exige à ARS do Centro "medidas urgentes e imediatas".

Também o PS local tomou hoje posição sobre esta situação, que definiu como "apenas mais uma manobra para o encerramento definitivo das extensões de saúde das diversas localidades do concelho", assim como do SAP, em "retaliação pela luta que os oliveirenses têm feito em prol dos seus direitos" à saúde.

"Compreende-se que uma população de 22 mil habitantes esteja coberta por apenas quatro médicos e que a empresa contratada pelo Ministério da Saúde com os recursos do Serviço Nacional de Saúde não esteja a cumprir com os seus objetivos?", questiona, em comunicado, o presidente da Comissão Política Concelhia do PS, Carlos Artur Maia.

Lusa/Jornal Médico

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