Um estudo da DECO concluiu que 85% dos inquiridos, vítimas de negligência ou erro médico, não apresentou queixa por considerar que tal seria uma “total perda de tempo, mas também por não saberem como proceder”.
Esta investigação acerca dos direitos dos utentes contou com 1.274 respostas válidas de portugueses com idades compreendidas entre os 30 e os 79 anos e será publicada na edição de agosto da revista Teste Saúde.
De acordo com o artigo, muitos dos inquiridos “queixam-se dos serviços de saúde e nove em cada 10 afirmam que fariam queixa em caso de erro ou negligência médica. Contudo, na realidade, poucos passam à ação, por considerarem que de nada adiantaria”.
Cerca de 6% dos inquiridos afirmaram ter sofrido danos durante um exame ou intervenção médica, mas apenas uma pequena parte avançou com a queixa, quer através do livro de reclamações, quer através de entidade supervisora ou recorrendo a tribunal.
Os principais motivos das queixas foram a falta ou o atraso no diagnóstico (30%), o erro de diagnóstico (27%) e, num quarto dos casos, os danos corporais (lesão num órgão ou tecido).
O estudo revelou ainda que 37% dos inquiridos desconhecem a força jurídica dos direitos dos pacientes e 23% acreditam que o meio médico apenas se rege por um código de boas práticas.
A DECO considera que este facto “pode estar na origem da atitude e do sentimento de impotência face aos serviços de saúde”. “Embora a lei refira que o paciente, a qualquer momento, pode escolher ou mudar o seu prestador de cuidados de saúde na medida dos recursos existentes, cerca de três quartos afirma que essa decisão lhe foi vedada”, lê-se no estudo.
O inquérito mencionou ainda a situação que “o direito a permanecer junto de um filho menor hospitalizado foi igualmente negado em 77% das situações”.
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